segunda-feira, dezembro 20, 2010

Fim de ano...

Fim de ano é sempre aquele momento de reflexão e tal, por mais que a gente não se importe muito com essa coisa de Natal e Ano Novo, mas a gente sempre para pra pensar no que foi que se passou no ano que está acabando.
Este ano eu posso dizer que foi um dos melhores da minha vida. Depois de 9 anos na Faculdade (4 de Filosofia, 1 de descanso e 4 de Letras), finalmente vou ganhar um diplominha. Mas melhor do que ganhar o diplominha foi eu ter passado no Mestrado, e saber que no ano que vem eu estarei em um lugar melhor. Sabe, quando a gente zera aquele jogo que passou um tempão tentando? Aí finalmente já pode pegar a nova versão, que geralmente é muito mais difícil, mas dá uma satisfação sem tamanho.
E essa foi a grande conquista: terminar a Faculdade e ir pro Mestrado. E queria agradecer, além da família e dos amigos próximos que aguentaram minhas altas doses de mau humor por estar extremamente estressada, uma pessoa em especial que me ajudou mais do que qualquer outra: a Gersonita. Foi minha professora, me orientou nos projetos de pesquisa, agora é minha colega de curso e mais que tudo se tornou uma amiga muito muito especial.

Bem, mas além das reflexões, é no fim do ano que eu fico mais velha, dia 22 vou fazer 26, o que me deixa profundamente em crise. Certeza que em alguns anos eu só farei aniversário de 5 em 5 anos. E é um horror fazer aniversário perto do Natal, porque a vida toda eu passei pelo trauma de ganhar um presente só. Agora eu até já me conformei, mas quando eu era criança isso era uma das piores coisas que se podia esperar. Só não é pior que as tão esperadas festas de aniversário no dia de Natal, pra aproveitar a família toda reunida. A família reunida não era o problema, mas que meus amiguinhos também estavam reunidos com suas famílias e não iam à minha festa. TRAUMA!!!!


Não sei se este ano escrevo mais alguma coisa.
Obrigada aos que lêem as minhas futilidades.
Feliz Natal e um Próspero Ano Novo, pra esse ano e pros próximos dez, que eu acho uma chatice isso de ter que ficar desejando isso pra todo mundo todo ano.

Beijones.

sexta-feira, novembro 12, 2010

Gavetas da Memória II.

Mesa


Estava eu a olhar a minha mesa, da cozinha da minha casa de quando eu morava em Toledo. Foi a faísca para virem a luz da memória milhões de histórias que se passaram alí. Tantos amigos, as feijoadas do Odi, as rodadas de truco e general, aquelas festas que surgia gente não sei de onde, e era tanta gente que mal cabia no apartamento.
Hoje a mesa está coberta por uma toalha na cozinha da minha mãe servindo de suporte pros utensílios de cozinha, mas eu ainda vou fazer um quadro dela.
Eu sempre tenho saudades daquilo tudo. Foram, sem sombra de dúvida, os melhores anos da minha vida, quando eu fazia minha primeira faculdade: Filosofia. Alí, naquela cidade e naquele momento da vida, eu conheci pessoas que ficarão pra sempre comigo. Alí eu tinha minha turma.
E a vida era uma delícia, trabalhava de dia pra festar a noite, não havia regras, não havia juízo, nada que impedisse ninguém de fazer o que bem entendesse.
Hoje eu não faria as mesmas coisas, mas eu tenho saudade, não de viver aquilo novamente, mas a saudade que vai ser mesmo sempre só saudade.
E posso dizer que meu lugar no mundo é Toledo. Quando eu voltei pra lá no ano passado, quase 4 anos depois da última visita, eu chorei. Chorei na chegada e na saída, porque eu amo aquele lugar. Não pelo lugar, mas por tudo que eu vivi lá e pelas lembranças maravilhosas que eu tenho.

quinta-feira, outubro 14, 2010

A casa da vovó...

...e do vovô e das titias...
Os melhores lugares do mundo, mas a gente engorda tanto...
E são tantos mimos, e tantos abraços balançados, tanto amor.

Minha família tem o sentido pleno da palavra, são parte essencial da minha vida.
Amo mais maior que o mundo.

=*

sexta-feira, outubro 01, 2010

O silêncio...

Andei quieta por esses dias, mas tive um motivo para isso: estava estudando pra prova do mestrado.
Não tenho muito o que dizer hoje, estou demasiadamente cansada depois de 4 horas fazendo uma prova, só quero compartilhar o poema da prova. Era pra fazer uma análise crítica dele, de acordo com meus conhecimentos de Teoria e Crítica Literária. Esse aí, ó:



Graciliano Ramos - João Cabral de Melo Neto

Falo somente com o que falo: 
com as mesmas vinte palavras 
girando ao redor do sol 
que as limpa do que não é faca:
 
De toda uma crosta viscosa, 
resto de janta abaianada, 
que fica na lâmina e cega 
seu gosto da cicatriz clara. 
Falo somente do que falo: 
do seco e de suas paisagens, 
Nordestes, debaixo de um sol 
ali do mais quente vinagre: 
Que reduz tudo ao espinhaço, 
cresta o simplesmente folhagem, 
folha prolixa, folharada, 
onde possa esconder-se na fraude. 
Falo somente por quem falo: 
por quem existe nesses climas 
condicionados pelo sol, 
pelo gavião e outras rapinas: 
E onde estão os solos inertes 
de tantas condições caatinga 
em que só cabe cultivar 
o que é sinônimo da míngua. 
Falo somente para quem falo: 
quem padece sono de morto 
e precisa um despertador 
acre, como o sol sobre o olho: 
Que é quando o sol é estridente, 
a contrapelo, imperioso, 
e bate nas pálpebras como 
se bate numa porta a socos.




Depois eu falo sobre o poema, hoje eu cansei mesmo....